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Como calcular a depreciação de um carro antes de comprar

Aprenda a estimar a perda de valor de um carro sem confundir anúncios, valores fiscais e preço de venda. Um método prático para comparar compras de carros novos e usados com cenários de revenda.

Pessoa compara anúncios de carros e uma folha de cálculo com preços, quilómetros e valores de revenda
Imagem de AutosOcasion

O essencial

A depreciação não pode ser conhecida com certeza antes da compra, mas pode ser orçamentada através de um cenário transparente. Reúna comparáveis realmente equivalentes, defina os seus quilómetros e prazo de utilização e calcule três valores de revenda possíveis para decidir com margem.

A resposta curta: calcule um intervalo, não um número mágico

A depreciação é a diferença entre o que paga pelo carro e o que recebe quando o vende. Não é possível saber hoje o valor exato de uma venda futura: dependerá do estado do veículo nessa altura, dos quilómetros acumulados, da sua documentação e da oferta e procura existentes nesse momento.

A alternativa útil não é procurar uma avaliação universal, mas preparar um orçamento com pressupostos verificáveis. Parta de um preço de compra realista, calcule a quilometragem que o carro terá quando o vender e compare veículos equivalentes que já estejam próximos dessa idade e quilometragem. Depois, crie três resultados: favorável, central e desfavorável. A compra faz sentido se também conseguir suportar o cenário desfavorável.

Não confunda depreciação com custo total de propriedade. A primeira mede apenas a perda de valor do veículo. Seguro, combustível ou energia, financiamento, manutenção, reparações, impostos, estacionamento e portagens são rubricas diferentes. Pode integrá-las mais tarde no seu orçamento anual com a ferramenta de custo anual do veículo, mas convém manter a perda de valor visível em separado.

  • Fórmula básica: depreciação em euros = preço de aquisição − valor de revenda estimado.
  • Depreciação anual = depreciação em euros ÷ anos previstos de propriedade.
  • Custo de depreciação por quilómetro = depreciação em euros ÷ quilómetros percorridos durante a sua propriedade.
  • As três fórmulas descrevem um cenário; não certificam o preço futuro.
Calculadora, folha de cálculo e miniatura de carro para estimar a perda de valor
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Reúna os dados antes de fazer as contas

O cálculo será tão bom quanto a comparação de partida. Registe a versão exata, não apenas a marca e o modelo: geração ou período comercial, data da primeira matrícula, carroçaria, combustível, potência, caixa de velocidades, nível de equipamento e equipamentos que afetem de forma apreciável a comparação. Registe também a quilometragem atual, os quilómetros anuais que prevê percorrer e a data aproximada de venda.

Para o preço de compra, distinga anúncio, negociação e operação concluída. Um anúncio apresenta um preço pedido; não demonstra, por si só, qual será o valor acordado. Ao comprar a um particular, guarde o contrato: a DGT exige que inclua, no mínimo, o preço de compra e a data e hora da assinatura. Esse documento permite registar o preço efetivamente acordado para o seu próprio cálculo.

Acrescente uma ficha documental ao cenário. O relatório completo da DGT permite verificar o histórico de inspeções ITV, quilometragem, titulares, ónus, dados técnicos, campanhas de recolha e manutenção comunicada por oficinas aderentes. A DGT recomenda pedi-lo antes de adquirir o veículo para verificar possíveis penhoras, apreensões, processos de insolvência ou outros ónus. Não atribua a um anúncio qualidades que o relatório ou a documentação não comprovem.

Fontes desta secção: Informe de un vehículo ↗ · Comprar un vehículo de segunda mano ↗

  • Preço de aquisição previsto e, após a compra, preço realmente acordado.
  • Identidade técnica completa: geração, versão, motor, potência, transmissão, equipamento e combustível.
  • Primeira matrícula, quilómetros atuais, prazo de propriedade e quilómetros anuais previstos.
  • Estado documental: ITV, ónus, histórico disponível, revisões e campanhas pendentes.
  • Dístico ambiental e município ou zonas onde o carro terá de circular.
Documentação, contrato e chaves necessários para avaliar um carro usado
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Procure comparáveis sem misturar carros que parecem iguais

Agrupe anúncios e referências pela mesma geração e versão. Um nome comercial comum não basta se mudarem o motor, a caixa de velocidades, o nível de equipamento ou o período comercial. Se misturar veículos diferentes, a média resultante parecerá precisa, mas não descreverá o carro que pretende comprar.

Ordene os comparáveis pela data da primeira matrícula e pela quilometragem. Para projetar a revenda, dê prioridade aos que tenham uma idade e quilómetros próximos dos que o seu carro terá no final do período. Se não encontrar comparáveis suficientes, alargue a pesquisa gradualmente e anote qual a característica que flexibilizou; por exemplo, o nível de equipamento, mas nunca sem o assinalar.

A Ordem HAC/1501/2025 publica, para 2026, preços médios de veículos usados durante o primeiro ano após a primeira matrícula e detalha entradas por período comercial e dados técnicos, incluindo tipo de motor, cilindrada e potência. Pode servir como referência administrativa adicional para identificar corretamente uma entrada técnica, mas não substitui uma comparação de mercado nem comprova um preço de transação.

Exclua ou separe os anúncios cuja situação não consiga equiparar: unidades com avarias declaradas, danos, documentação pendente, utilização não comparável ou informação técnica insuficiente. Deve também separar os preços pedidos dos preços confirmados por contrato quando os tiver. Não os calcule em média como se fossem a mesma evidência.

Fontes desta secção: Orden HAC/1501/2025: precios medios de venta de vehículos para 2026 ↗ · Comprar un vehículo de segunda mano ↗

  • Mantenha fixos: geração, carroçaria, motor ou energia, potência, caixa de velocidades e versão ou nível de equipamento.
  • Compare a data da primeira matrícula e a quilometragem final prevista, não apenas as atuais.
  • Crie uma coluna para o preço pedido e outra para o preço da operação documentada, caso o conheça.
  • Guarde a ligação, a data de consulta e as observações de cada comparável.
  • Se a ITV estiver caducada, trate-a como uma condicionante relevante: a DGT indica que o veículo não pode circular e deve ser levado à inspeção num reboque ou outro meio autorizado.

Método passo a passo: três cenários de revenda

Primeiro, calcule a quilometragem de saída: quilómetros atuais + (quilómetros anuais previstos × anos de propriedade). Esse dado determina quais os comparáveis que deve analisar. O cenário de venda deve procurar veículos próximos da quilometragem resultante, e não unidades com a quilometragem que o carro tem no momento da compra.

Segundo, defina o preço de aquisição que realmente espera pagar, incluindo apenas os valores que decidir integrar nesta rubrica. Para não confundir conceitos, uma opção clara é usar apenas o preço do veículo na depreciação e registar transferência, garantia, financiamento, entrega, manutenção ou reparações noutras linhas do orçamento.

Terceiro, selecione um valor de revenda para cada cenário. O cenário central pode apoiar-se nos comparáveis mais próximos e documentalmente equivalentes. O favorável pode partir da parte superior do conjunto comparável; o desfavorável, de um valor inferior que esteja disposto a considerar caso a venda exija uma margem adicional. Não apresente nenhum deles como previsão ou avaliação.

Por fim, calcule a perda em euros, por ano e por quilómetro. Reveja qual o cenário que altera a sua decisão: se apenas o melhor caso torna a compra comportável, o orçamento é frágil. Pode comparar a depreciação resultante de dois candidatos na mesma folha, juntamente com os restantes custos.

Modelo para preencher com os seus próprios pressupostos e comparáveis. P representa o preço de aquisição; K₀, a quilometragem atual; Kₐ, os quilómetros anuais previstos; A, os anos de propriedade; e V, o valor de revenda de cada cenário.
ConceitoDesfavorávelCentralFavorável
Preço de aquisiçãoPPP
Quilometragem ao venderK₀ + (Kₐ × A)K₀ + (Kₐ × A)K₀ + (Kₐ × A)
Valor estimado de revendaV desfavorávelV centralV favorável
Perda de valorP − V desfavorávelP − V centralP − V favorável
Perda anual(P − V desfavorável) ÷ A(P − V central) ÷ A(P − V favorável) ÷ A
Custo de depreciação por km(P − V desfavorável) ÷ (Kₐ × A)(P − V central) ÷ (Kₐ × A)(P − V favorável) ÷ (Kₐ × A)

Fontes desta secção: Comprar un vehículo de segunda mano ↗

  • 1. Defina a data de compra, a data de venda e os quilómetros anuais previstos.
  • 2. Calcule os quilómetros esperados no momento da venda.
  • 3. Reúna comparáveis dessa configuração e fase de vida.
  • 4. Separe os preços de anúncio das operações documentadas.
  • 5. Escolha três valores de revenda com uma nota que explique cada pressuposto.
  • 6. Calcule e compare o resultado antes de assinar.

O que pode alterar o resultado e como deixar margem

O estado e a rastreabilidade devem ser verificados juntamente com a ficha técnica. Guarde faturas e registos de manutenção, verifique as campanhas pendentes e guarde a documentação da ITV. O relatório completo da DGT reúne dados que ajudam a confirmar quilometragem, ITV, titulares, ónus, campanhas e manutenção comunicada por oficinas aderentes; use-o para analisar o veículo que compra e para reunir informação coerente sobre ele.

Registe qualquer circunstância que torne a sua unidade diferente dos comparáveis: danos ou sinistros declarados, quilometragem superior à prevista, pneus ou componentes pendentes, falta de documentação ou uma ITV que não esteja válida. Isto não permite quantificar automaticamente um desconto; deixe registadas as diferenças documentais face aos comparáveis.

A classificação ambiental também merece uma linha própria. A DGT explica que os dísticos são utilizados em políticas municipais, incluindo restrições de circulação e benefícios fiscais ou de mobilidade. Por isso, não convém assumir que dois combustíveis ou etiquetas terão a mesma utilidade futura no seu caso: registe onde circula e que restrição ou vantagem aplicável conhece, e atualize o cenário caso se altere.

A verificação final não consiste em procurar o número mais elevado. Consiste em decidir se o custo de depreciação dos cenários central e desfavorável se ajusta ao seu orçamento, aos seus quilómetros e ao tempo durante o qual consegue manter o carro caso a venda se atrase.

Fontes desta secção: Informe de un vehículo ↗ · Distintivo ambiental ↗

  • Antes de comprar: peça documentação, reveja o relatório completo e confirme que a configuração coincide com o anúncio.
  • Durante a propriedade: guarde faturas, ITV e registos que comprovem a quilometragem e a manutenção.
  • Antes de vender: atualize os comparáveis com a idade e os quilómetros reais, não com os estimados anos antes.
  • Se as condições municipais afetarem a sua utilização, corrija o cenário e documente o motivo.
  • Não aceite uma operação baseada apenas num valor de revenda otimista.

Novo ou usado: muda o ponto de partida, não a disciplina

Num carro novo, o ponto de partida deve ser o preço real de aquisição e uma referência de saída que já corresponda à mesma configuração na fase de idade e quilometragem que prevê atingir. A Ordem de preços médios de 2026 inclui valores de veículos usados durante o primeiro ano após a primeira matrícula, lembrando que a primeira fase deve ser tratada com referências específicas e não extrapolada simplesmente a partir de carros muito mais antigos.

Num usado, a depreciação que assumirá começa no preço que pagar agora, e não no preço que teve quando era novo. Isto permite comparar de forma clara dois carros com idades diferentes: para cada um, calcule os quilómetros finais, procure os seus próprios comparáveis de revenda e confronte a perda em euros e por quilómetro durante o seu período de propriedade.

O erro comum em ambos os casos é aplicar uma percentagem genérica por idade a qualquer carro. Uma folha com comparáveis homogéneos, hipóteses escritas e um cenário desfavorável não elimina a incerteza, mas revela se está a pagar demasiado pelo risco de revenda que aceita.

Fontes desta secção: Orden HAC/1501/2025: precios medios de venta de vehículos para 2026 ↗

  • Para um carro novo, documente o preço final de compra e procure referências da primeira fase de utilização que lhe correspondam.
  • Para um usado, comece pelo seu preço de compra, e não pelo seu preço histórico quando era novo.
  • Não transfira percentagens ou valores entre gerações, motorizações ou níveis de equipamento.
  • Atualize o cálculo se os seus quilómetros previstos ou a data de venda mudarem.
Como se calcula a depreciação de um carro?

Subtraia o valor de revenda estimado ao preço de aquisição. Para avaliar o resultado, divida depois a perda pelos anos de propriedade e pelos quilómetros percorridos durante esse período.

O preço de um anúncio serve como valor de revenda?

Serve como referência de preço pedido se o carro for realmente comparável, mas não comprova, por si só, o preço final. Quando existir um contrato de compra e venda entre particulares, o preço de compra nele indicado documenta o valor acordado.

Que comparáveis devo usar?

Procure a mesma geração, carroçaria, combustível ou energia, motor, potência, transmissão e versão ou nível de equipamento. Dê também prioridade a unidades com uma primeira matrícula e uma quilometragem semelhantes às que o seu carro terá quando o vender.

O valor fiscal das Finanças é uma avaliação de mercado?

Não convém tratá-lo como tal. A Ordem HAC/1501/2025 disponibiliza preços médios e dados técnicos para 2026, pelo que pode ajudar a identificar uma referência administrativa, mas o seu orçamento de revenda deve ser comparado com comparáveis de mercado e respetivas circunstâncias documentais.

Por que motivo incluir o dístico ambiental no cálculo?

Porque a DGT indica que é utilizado em políticas municipais que podem incluir restrições de circulação e benefícios de mobilidade ou fiscais. Registe como pode afetar os seus trajetos e reveja o cenário se as condições que lhe dizem respeito mudarem.

Fontes e evidências

Orden HAC/1501/2025: precios medios de venta de vehículos para 2026 Boletín Oficial del Estado / Ministerio de Hacienda · Consultada 09.09.2026
Informe de un vehículo Dirección General de Tráfico · Consultada 09.09.2026
Comprar un vehículo de segunda mano Dirección General de Tráfico · Consultada 09.09.2026
Distintivo ambiental Dirección General de Tráfico · Consultada 09.09.2026
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